PRIMEIRA CÂMARA DE MÉDIO FORMATO

Após ter iniciado a minha carreira de fotógrafo, tive a hipótese de adquirir uma câmara de médio formato. Ainda muito apegado ao 35mm e a fotografar pessoas tinha de tomar uma decisão quanto à escolha da primeira câmara de médio formato. Nunca gostei de câmaras demasiado grandes pois implicam volume e peso. Escolhi a Rolleiflex TLR com a objectiva Carl Zeiss Tessar de 75mm e com a abertura a 3.5. Foi um começar tímido, mas gradualmente fui adquirindo experiência e confiança em fotografar no formato 6×6.

Passar do 35mm para 6×6 é um salto abismal em termos de qualidade, definição e técnica de fotografar. Exige um olhar, concentração e respirar diferente. Todos os filmes que usava no 35mm, no médio formato, ganham outra profundidade e conseguimos ver todas as suas características e detalhes. Marcas como Agfa, Kodak, Ilford, Fujifilm, entre outras, desenvolveram filmes com qualidade extrema que, expostos e revelados correctamente davam imagens com uma leve sensação de tridimensionalidade.

Mais tarde, todas as câmaras de médio formato que fui adquirindo correspondiam ao mesmo critério de portabilidade e extrema qualidade. Além da Rolleiflex, a Mamiya e a Fujifilm foram para mim as marcas de eleição. Rolleiflex T3.5, Mamiya 645, Mamiya 6 e Fujifilm GA645Pro foram-me acompanhando nos gloriosos dias da fotografia analógica.

Irei partilhar convosco a experiência de fotografar com estas câmaras e as fotografias resultantes de sessões fotográficas realizadas com estes modelos. Como é obvio, tenho grande afeição às Rolleiflex pois foi como tudo começou, e além disso há uma certa magia nas imagens captadas pela objectiva Tessar 3.5. O enquadramento 6×6 requer habito e não há meio termo, ou é amor ou é ódio. Tive o azar de me adaptar logo a este formato e digo que é azar pois é viciante. Enquadrar com a Rolleiflex TLR não é fácil porque estamos a ver a imagem invertida no plano horizontal mas, “pegando-lhe o jeito” é uma câmara leve, de construção robusta e com obturador preciso que nos transporta para a alta relojoaria.

Ficam aqui algumas imagens da sessão fotográfica com a Rolleiflex T3.5 realizada para o stylist Nuno Tiago em 1994. Esta sessão decorreu num edifício degradado na Rua Poço dos Negros em Lisboa. O final de tarde e a escolha do filme Kodak Ektachrome 100 conferiu um tom quente às imagens. Olhando agora para estas imagens vejo o começo do enquadramento e da estética que fui desenvolvendo ao longo destes anos. Como diria o anúncio: “para mais tarde recordar!…”

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